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Heróis que viram vilões e vilões que viram heróis

Oi, gente! Como vocês estão? Espero que bem e se cuidando! Pedi sugestões de temas para seguidores do Instagram e esse foi um deles: Heróis que viram vilões e vilões que viram heróis. Muitas ideias vêm à minha mente quando leio isso, mas hoje eu quero puxar para um ponto de vista mais "realístico". É possível que seja muito diferente da ideia do autor da sugestão, mas espero que gostem! Vamos lá?


Quantas vezes na nossa vida nós conhecemos pessoas que consideramos amigos, mas, na verdade, não eram? E quantos desses você admirava muito e só enxergou como realmente eram depois do término ou afastamento da amizade? Vou contar um segredo: nunca tive sorte com amizades. Talvez por isso eu seja assim, um tanto antissocial. E talvez por isso eu tenha desaprendido a ser uma amiga melhor, pois nunca sei se de fato alguém quer minha amizade ou apenas algo que posso proporcionar.

Vamos mais além... Quando éramos crianças, a maioria de nós enxergava os pais como heróis. O pai trabalhando arduamente para sustentar a casa, a mãe cuidando e, às vezes, também trabalhando. A mãe sempre proibindo você de sair de casa, para "te proteger", te fazendo sentir sufocado(a); ou te deixando "sair demais" e você se sentindo "menos importante". Não importa como eu olhe, tudo parece ter um ponto negativo. E tudo vai te moldando, na sua perspectiva.

Aquela mãe superprotetora que parecia tão incrível e batalhadora, quando você cresce, pode notar o quanto ela reclama e o quanto manipulou você; não necessariamente por maldade, mas que acabou te causando prejuízos psicológicos. Assim como aquela mãe que te deixava sair o tempo todo talvez apenas quisesse um tempo para ela, e isso te fez se sentir um peso.

Quantas pessoas nós colocamos no "pódio" por não enxergarmos que estavam nos fazendo mal? Aquele namorado ou namorada também protetor(a), que te liga a cada instante para saber o que você está fazendo e com quem está; que te diz o que vestir para que outras pessoas não olhem para você. Tão carinhoso(a) e atencioso(a) que se irrita cada vez que você vai sair com um(a) amigo(a).

Pessoas que admiramos e, na verdade, são muito diferentes do que achamos ser. (Inclusive, muito cuidado quando decidir conhecer alguém que não tem contato, porém admira muito; é possível que o que você projetou ou ela aparente ser, seja muito diferente de como é na vida real; então a "magia" se quebra.)

Enquanto isso, às vezes esbarramos com pessoas que julgamos pela aparência ou atitudes que são "fora do padrão". Às vezes, na nossa vida, conhecemos pessoas que nos dizem duras palavras e que podem até parecer vilãs. Duras realidades que te fazem pensar que toda a sua vida foi uma mentira. De forma singela ou não, a pessoa parece enfiar uma espada no seu coração. Que apenas entra porque você sabe que aquilo que ela disse é real.

Quantas vezes nós precisamos de pessoas para nos fazerem sair do mundo de fantasia que criamos? E quantas vezes até nos afastamos delas? Depois, você analisa e vê que aquilo era de fato o que você precisava ouvir. O "vilão" (ou "a vilã") te sugeriu terminar o relacionamento abusivo com o(a) namorado(a). O "vilão" te disse para sair da casa dos seus pais. O "vilão" te falou para procurar um emprego melhor e ter autonomia. Dependendo do nosso emocional, do tipo de manipulação e da criação que tivemos, isso pode parecer absurdo naquela hora. Até você ver que não podia ter mais sentido.

De todas as formas, você é o centro da sua vida. Se não se deixa ser manipulado(a), é você quem escolhe suas amizades, seu emprego, seu relacionamento amoroso, sua autonomia. Nada mais justo do que você mesmo arcar com as consequências das suas decisões. E digo mais, deixar-se ser manipulado pelos outros também é uma decisão que te trará consequências.

Se parar para pensar, inúmeras vezes nós é quem fomos nosso próprio herói e vilão. Quando permitimos que outras pessoas tivessem poder sobre nossa vida mais do que nós mesmos (obviamente não estou falando de quando você era criança ou pré-adolescente; apesar de alguns terem muita maturidade para a idade), quando permitimos aos outros terem controle sobre nós, quando amamos os outros mais do que a nós mesmos, nos destruímos. Como se tivéssemos um vilão dentro de nós mesmos. Que antes podia parecer um herói, afinal, agradar aos outros para ter a atenção deles pode parecer muito bom; mas quantas vezes fazendo isso você abre mão de si mesmo(a)?

aquele "vilão" interno, só queria te salvar e te fazer enxergar a realidade. Te mandou se afastar de pessoas e ambientes, te dizia (em forma de intuição) o quanto aquele(a) namorado(a) não te amava de verdade, que aquela "melhor amiga" estava apenas te sugando, te disse que aquela roupa não combina nada com você e que você é uma farsa, por escutar apenas músicas que os outros queriam. Aquele vilão era, na verdade, seu herói.

Porque quando você esteve dentro do poço, foi ele quem ficou lá em cima, não te jogando uma corda, seria fácil demais; mas com uma lanterna e te dizendo que você é capaz sozinho(a). E isso, mais uma vez, te fez achá-lo um vilão. Você pode sair do poço sozinho(a). Às vezes, alguém real (oi, terapeuta) pode te ajudar a enxergar melhor. Então a luz da lanterna parece mais forte e você vê que há uma espécie de escada ali.

A verdade é que não importa se você é cristão, ateu, budista ou de qualquer outra religião; tudo só vai acontecer se você der o primeiro passo e for persistente. E você só consegue suportar o processo se aprender a amar a si mesmo(a). Enxergar que merece o melhor e lutar por ele.


Helena Medeiros

@escritorahelenamedeiros

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