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Silêncio de Deus e fala das pessoas



Tenho passado por dias estranhos. As coisas que já pareciam complicadas, começaram a tomar uma proporção ainda maior. Senti-me "atacada" por pessoas. E cada vez que me sinto assim, eu sei que é a hora de parar e me voltar para dentro. É a hora de entender o gatilho que causou aquela reação (externa e/ou interna).

Aprendi em um culto, que o que importa não é como a gente age. É fácil controlarmos a forma como agimos, porque pensamos sobre antes. Mas a nossa reação é o que mostra como estamos por dentro. Desde então, passei a observar mais as minhas reações. Não só as reações externas, que muitas vezes consigo controlar atitudes que seriam "exageradas" ficando em silêncio (o que é algo que preciso parar, já que sempre que fico em silêncio as pessoas acham que estou concordando com aquilo). As minhas reações internas, como coração acelerado, mãos geladas e/ou tremendo... são meus indicadores de que o que aconteceu ali foi um gatilho.

Gatilho são situações que te trazem à tona traumas do passado que ainda estão interiorizados, mesmo que seja no seu subconsciente. Recebi tantos gatilhos de uma vez, que minha vontade foi de ir para longe de todos. Como não podia ir para um lugar com natureza ao redor, tranquei-me no meu quarto.

Cada situação precisava ser refletida, mas não de forma emocional. O ápice foi quando senti ira dentro de mim. Ela foi formada dentro de mim há anos, a partir de todas as vezes em que falei e fui julgada, e que calei, reprimindo minhas emoções. Essas emoções foram se acumulando com o passar dos anos, porque eu não sabia como lidar com elas. Só há dois anos, quando senti tudo desabar, que fui começando a aprender a lidar com elas e comigo mesma. Por isso o autoconhecimento é tão importante.

Não é uma linha contínua em que você aprende e nunca mais sentirá algo ruim ou nunca mais terá gatilhos, mas você aprende a identificá-los, ressignificá-los e se acolher. O autocuidado não é egoísmo, é necessário. Você não pode passar essa responsabilidade para o outro, até porque nem sempre ele estará ali ou conseguirá te entender como você mesma se entende.

Trancada no meu quarto, comecei a falar com Deus. Eu queria respostas, mas queria algo dito por Ele, não por pessoas, mesmo que fossem pessoas "usadas pelo espírito santo". Orei como há tempos não tinha orado. Notei erros na forma como estava orando e corrigi. Passei um bom tempo assim e não tive resposta, pelo menos não como eu queria.

Porém, depois entendi. Deus já havia me dado a resposta. No meu interior, sem as vozes externas de pessoas que não sabem praticamente nada sobre minhas vivências, eu me lembrei de tudo que Ele já havia me falado. Das promessas e do que preciso fazer. Entendi que preciso ter calma e dar um passo de cada vez. É que quando a gente perde tempo demais, a gente passa a ter pressa. Porém, nem tudo é assim. Ao mesmo tempo em que tudo parece acelerar e pressionar demais; é preciso ter calma e paciência. Como Jesus, que dormia no barco em meio a uma tempestade no mar.

Parece contraditório, eu sei. Mas as coisas de Deus nem sempre nos são entendidas com clareza. São aprendizados diários. Lutas diárias. E o "mal" está atento o tempo todo. Cada vez que você baixar a guarda, o "mal" estará ali, dizendo tudo o que precisa para confirmar que seu pensamento negativo é real.

Precisamos aprender a "ouvir o silêncio" de Deus. Às vezes esse silêncio serve para nos lembrarmos do que Ele já nos falou. Esse silêncio é necessário para analisarmos a nós mesmos. É um silêncio que nos faz sentir e entender a dor, também a lidar com ela. Contudo, não é necessariamente algo instantâneo. É preciso sentir a dor, é preciso sentir a raiva. Sim, foram feitas para serem sentidas. Mas também é preciso tomar cuidado com as nossas ações e reações diante delas, para não causarmos danos irreversíveis.

Na adolescência eu ouvi uma mensagem e nunca esqueci, nela há três conselhos: nunca tenha curiosidade para o mal, nunca pegue atalhos e nunca tome decisões em momentos de ódio ou dor. Significa que devemos recuar nesses momentos de dor e raiva. Devemos silenciar, para não ferir. Porque normalmente quando sentimos dor/raiva queremos "atacar de volta".

Porém, também devemos aprender (e ainda estou em processo) a falar e mostrar para as pessoas que aquilo que estão dizendo é algo equivocado. Como falar isso sem parecer irônica, usar de "morder e assoprar", sem chorar (vão dizer que está fazendo drama) e sem ser "agressiva", é algo que estou tentando aprender, já que desde criança aprendi a me expressar apenas escrevendo (e venhamos e convenhamos, não dá pra escrever num papelzinho e entregar para as pessoas em cada conversa).

Saiba discernir sobre o que as pessoas te disseram que te magoa é real ou não. Saiba se aquilo que te magoou de fato foi intencional, ou se envolveu algum gatilho seu. Não tenha medo de se isolar para entender isso. Aos poucos, fará em qualquer lugar, mas nem sempre será assim. Por isso é muito importante passar pela fase de encarar as próprias dores de frente, perdoar-se e se acolher (e vou repetir isso quantas vezes forem necessárias). Entendendo suas dores e o que causa sua ira (não, não é errado sentir raiva, errado é reagir impulsivamente e se manter sentindo-a por muito tempo), fica mais fácil se cuidar e lidar com elas.

É literalmente como se houvesse uma "criança interior". E ela é dramática, "birrenta", irritadiça... e você precisa aprender a lidar com ela.


Helena Medeiros

@escritorahelenamedeiros

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