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Suicídio não é válvula de escape



Quando nos vemos sem saída e olhamos para os lados, não vendo ninguém para segurar a nossa mão, começamos a pensar que estamos vivos "por engano". Quando as pessoas apenas nos criticam, quando nunca somos suficientes para elas, quando nos machucam de propósito, temos a certeza disso. E mais uma vez repito o quanto é importante sabermos separar o externo do interno.


Não é fácil fazer isso. Porque nossas crenças iniciam na infância, através dos nossos pais, que são nossos "modelos" e "heróis", através dos parentes, amiguinhos e todas as pessoas que convivemos de forma geral. Se escutamos muito que "fazemos tudo errado" ou que "desde que você nasceu tudo piorou", é normal que quanto mais isso seja dito, mais passemos a acreditar. Especialmente quando vem de pessoas que admiramos e são importantes para nós.


Saber separar o que as pessoas dizem do que realmente somos não é uma tarefa simples. Por isso, saber quem somos de verdade é o primeiro passo. Durante a maior parte da minha vida vivi tanto para agradar aos outros (sem nunca ser o suficiente) que não sabia mais quem eu era. Não nos conhecermos e não sabermos quem somos de verdade, influencia muito nos momentos de desespero. Afinal, se eu sei quem sou, sei para onde "voltar" quando tudo dá errado. E a saída é sempre para dentro. É sempre você mesmo se acolher, se respeitar e se cuidar.


Morrer sempre me parecia atrativo nos momentos de dor. "Não vou fazer falta", "ninguém se importa"... sempre os outros acima de mim... Trancada no meu quarto, me sentindo a pessoa mais solitária do mundo, sem mais aguentar ser enganada pelas pessoas que confiava, querendo uma vida totalmente diferente da que eu vivia... senti que Deus falava comigo.


Aquele dia no meu quarto sempre será minha referência nos meus momentos de desespero. Porque naquele dia entendi que eu não estava sozinha. Havia alguém que acreditava em mim, alguém que conhecia até os mais profundos dos meus pensamentos. Naquele dia, eu falava as coisas que eu queria naquele momento para mim, e sabe o que "ouvi"? "Não", "não é a hora", "não faça isso"... Foram tantos "nãos" que fiquei em um misto de confusa com aliviada. Sim, aliviada. Pois pela primeira vez senti que alguém estava me dando o direcionamento.


E, mais uma vez, a saída para entender tudo foi para dentro. Encarar os traumas, as dores, as angústias. Entender no que eu errei. Como eu mesma prejudiquei minha própria vida. Porque fazemos isso quando colocamos os outros acima de nós. Perdoar a mim mesma, perdoar as pessoas... São dois anos e ainda estou em processo. Ainda estou aprendendo a lidar com tudo.


Mas sabe qual é a diferença? Desde aquele dia eu fiz de tudo para me conhecer e me "mimar", me proteger, me cuidar. Naquele dia falei para mim mesma que se eu tirasse a minha vida, perderia os melhores anos dela. Se eu tivesse morrido, não cumpriria o meu propósito. Se eu tivesse aguentado só mais um pouco, aquela dor ia passar.


E passou. Ainda tenho que lidar com feridas que ainda não cicatrizaram e se abrem. Quando vejo que isso acontece eu paro e vou cuidar de mim. Me acolho, eu sei que nenhuma pessoa fará isso por mim. Por vezes, peço colo para Deus, e fico ali conversando ou simplesmente descansando no lugar mais seguro que existe.


Depois daquela noite, vivi momentos assustadores. Parecia que eu estava sozinha, mas eu sei que Deus segurou a minha mão, me carregou nos braços e cuidou de mim. Comecei a focar nas coisas que eu queria e sempre me disseram que eu não seria capaz de conseguir. Comecei a estudar o que eu queria, a escrever mais. Ainda hoje busco aprender tudo que sempre quis (e não é pouco).


Não vou dizer que após a minha decisão de seguir (mesmo que fosse "sozinha") tudo foram flores. Porém, consegui realizar muitos sonhos. Consegui tocar o coração de algumas pessoas e senti que poderia fazer algo positivo para alguém. É muito bom aprendermos a termos nós mesmos, mas também é bom saber que há alguém ali por você, mesmo que do outro lado da tela.


Suicídio não é válvula de escape. As coisas não vão melhorar se você não estiver mais vivo(a). E se alguém te diz isso, é porque esse alguém está mal consigo mesmo. Você pode encontrar a saída se parar de ouvir todas as vozes que te dizem para desistir (externas ou internas). Você merece realizar aqueles sonhos que ficaram embaixo de tanta sujeira que jogaram em você e você ficou guardando, tomando aquilo como verdade. Quer saber a verdade? Você é mais do que capaz. Não importa se parecer solitário, não importa se te acham anormal ou doido(a), não importa se gritam que você não vai conseguir. A voz que importa é a de Deus, que te diz sempre que você vai chegar lá. Ele é mais do que suficiente para você sair do escuro. E Deus diz: continue. Vamos engatinhando... logo vai se levantar e andar com a cabeça erguida.


Helena Medeiros

@escritorahelenamedeiros

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